quinta-feira, 22 de março de 2012


Eterno Retorno.


“O que foi, é o que há de ser; e o que
se fez, isso se tornará a fazer: nada há, pois,

novo debaixo do sol... (Eclesiastes 1.9)


Eis o momento! Começando nesta porta,
um longo e eterno caminho mergulha no passado: atrás de nós

está uma eternidade! Não será verdade que todos os que podem

andar têm de já ter percorrido este caminho? (F. Nietzsche)


... e o fim de nossa viagem será chegar
ao lugar de onde partimos.
E conhecê-lo

então pela primeira vez. (T.S. Eliot)

O eterno retorno é uma idéia misteriosa, e Nietzsche,

com essa idéia, colocou muitos filósofos em dificuldade:

pensar que um dia tudo vai se repetir tal como

foi vivido e que essa repetição ainda vai se repetir indefinidamente!

O que significa esse mito insensato?


O mito do eterno retorno nos diz, por negação, que a vida
que vai desaparecer de uma vez por todas, e que não mais voltará,
é semelhante a uma sombra, que ela é sem peso, que está morta desde hoje,
e que, por mais atroz (insignificante), mais bela, mais esplêndida que seja essa
beleza, esse horror, esse esplendor, não têm o menor sentido. Essa vida não
deve ser considerada mais importante do que uma guerra entre dois reinos
africanos do século XIV, que não alterou em nada a face do mundo, embora
trezentos mil negros tenham encontrado nela à morte através de indescritíveis
suplícios.
Ao ler Nietzsche, lembrei-me dela e senti saudades... há tempo que não a vejo!
Dei-me conta, com uma intensidade incomum, da coisa rara que é o sentimento
à alguém (prefiro retratar aqui a amizade). E, no entanto,
é a coisa mais alegre que a vida nos dá. A beleza da poesia, da música,
da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e ficam tristes.
Logo acredito que a busca de um amigo, é uma luta contra a solidão...

(Ensaio)